Rapvolução quer mostrar a evolução do Rap

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Sexta-feira, 17 Junho 2016
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Cinco cantoras querem mostrar que o rap também tem uma identidade feminina bem marcada. Juntaram-se num projecto que pretende lançar um disco e participar em espectáculos. Nenhuma delas quer abandonar as carreiras a solo. Confiam todas que estão a criar um projecto “grande e bonito”.
As rappers Eva Rap Diva, Cris Mc, Kendra, Miss Skills e Vanda Mãe Grande ambicionam mostrar a evolução do rap angolano, sobretudo o que é cantado no feminino. Juntaram-se e criaram o projecto Rapvolução. Todas elas acreditam que as mulheres que agarram este estilo musical “ainda são muito desvalorizadas, têm menos oportunidades e são muito assediadas”.


O projecto pretende provar que as mulheres podem sobressair apenas pelo talento “sem terem de passar por certas coisas que as rappers têm passado”, garante uma das integrantes. Inicialmente, o grupo vai apresentar, ao longo deste ano, 14 músicas só com vozes femininas. Cada uma terá entre duas e três músicas a solo e outras em conjunto. Umas já preparam os trabalhos a solo. O cuidado passa pela agenda e pelo lançamento do Rapvolução. A ideia é “não chocar umas com as outras” e nenhuma quer que o projecto passe despercebido.

O Rapvolução, por enquanto, não tem apoios. As cantoras estão a fazer tudo por conta própria. “Não estamos à procura de apoio, mas se vier será bem-vindo. Não estamos a depender de patrocínios. Não sabemos como vai sair, mas na base da fé vai acontecer”, espera Eva Rap Diva.


O convite para pertencer a este projecto foi alargado a todas as mulheres ou quase todas que cantam rap. Foram contactada várias MC (Mestre de Cerimónia) conhecidas no estilo e algumas não se mostraram disponíveis. “Quem não estiver no projecto é porque não quis estar”, explica Eva Rap Diva.
Apesar de estarem já a montar o projecto há algum tempo, mantêm as portas abertas para outras participações. “As novas artistas que queiram participar, tendo em conta os anos de rap e a experiência que todas temos, vamos ouvir e avaliar se tiver alguma ‘cena’ boa vai ser um prazer enorme trabalhar seja com que rapper for”, afirma Eva Rap Diva.

As Mc acreditam que o projecto vá ter a duração necessária. Vão apresentar primeiro um disco para assinalar o inicio do projecto. Pretendem ainda organizar uma tournée nem que for em seis palcos a participar em ‘shows’ uma das outras. “Vamos fazer essa interacção e passar essa união das mulheres o que não só no rap é necessária, mas em todo o país. É necessário que as mulheres estejam mais unidas”, diz Cris MC.

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Aos 25 anos, Cris MC foi uma das vencedoras do concurso da TPA ‘Super Star Girl Band’, Canta há oito anos e acredita que o rap “não está no seu melhor”. A cantora admite que “falta mais seriedade e dedicação, por parte dos artistas”. Mas confia que se tem trabalhado para melhorá-lo. “Hoje há uma exigência maior tanto dos homens que têm predominância no estilo, quanto das mulheres, que exigimos de nós uma melhor qualidade”.

Eva Rap Diva, de 27 anos, canta rap desde os 12. Confessa que já foi “muito assediada”, mas garante que nunca cantou em nenhum ‘show’ por causa disso. “Sempre tive uma outra postura em relação a isso, se o fizesse não estaria a respeitar o meu trabalho. Já cantei em todos os ‘shows’ que sonhava cantar. E para isso acontecer não tive de dormir com ninguém e nem precisei de pedir favores a ninguém. Temos de trabalhar bem com a imprensa para divulgar o nosso trabalho e seremos aquilo que o povo quiser”.


Preocupadas com o estado da cidade de Luanda, as rappers garantem que se tivessem a oportunidade de mudar alguma coisa para melhorar a capital começariam por mudar as vias de acesso, criariam mais espaços de lazer para desviar um pouco a atenção do álcool, lutariam para diminuir o lixo, reformulariam a educação moral e cívica, a saúde, investiriam mais na segurança, em políticas de limpeza eficazes, controlariam melhor a polícia económica e a inspeccionariam os supermercados rigorosamente. Por exemplo, Eva Rap Diva considera Luanda uma “cidade feia, cheia de lixo, com muita confusão e com más construções”. Daí que admita que a cidade precise com urgência de ser organizada, cuidada e ter uma boa gestão.

TAMBÉM A SÓS

Apesar de acreditarem que trabalhariam muito bem como um grupo, recusam-se em largar as carreiras a solo, mesmo que recebessem uma proposta para tornar o Rapvolução num conjunto. Estão convencidas de que um grupo tornariam “as coisas mais complicadas”. “Num projecto temos um objectivo, vamos fazer e acabou… e se quisermos repetir, repetimos e há aquela liberdade de quando quiseres. Cada uma tem a sua carreira, prioridades, contratos, ambições e equipa”, explica Eva Rap Diva.

Miss Skills remata que a ideia do projecto é que seja algo “grande e bonito” e que possa “mostrar a união entre as rappers”. A artista afirma que “infelizmente estivemos num estado em que o rap feminino esteve muito desfragmentado em que cada uma estava no seu lugar a fazer as suas coisas”. “Essa união está a permitir conhecermo-nos melhor de forma mais pessoal e profissional. Esse trabalho está a ser uma grande experiência para nós. Queremos que o público goste muito e todo o apoio e patrocínio são bem-vindos, estamos receptivas”, remata Miss Skills.

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O grupo de cinco cantoras promete criar, com o Rapcolução, músicas diferentes e muito feminismo. “Vamos mostrar que podemos fazer melhor e conquistar o nosso espaço, garante Kendra, de 18 anos, a mais nova do projecto.

O que é um MC

MC significa ‘Mestre de Cerimónias’. No contexto musical, as primeiras manifestações de um MC surgiram na música jamaicana. Nas festas (muitas vezes em salões de dança), os homens usavam o microfone para animar o público. No entanto, nessa altura, ainda não eram conhecidos como MCs. Mais tarde, nos EUA, surge o MC nas funções conhecidas hoje em dia, apareceu no hip hop, e trazia animação para as festas. Pode ser um músico ou pode ser o apresentador de um determinado evento que não está necessariamente ligado a uma manifestação musical. Os MC também compõem e cantam o seu próprio material, ou então improvisam, inventando letras no momento, conhecido como ‘freestyle’.

 

Crédito: Nova Gazeta


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