Nkuma Beia: “Se deixas o Naice Zulo sozinho em estúdio tudo que ele vai cantar é beef”

Nkuma Beia: “Se deixas o Naice Zulo sozinho em estúdio tudo que ele vai cantar é beef”

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Terça-feira, 06 Fevereiro 2018
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Passados mais de seis meses depois de ser lançada, Nkuma Beia fala pela primeira vez sobre o processo criativo que esteve na concepção da mixtape 18 quilates, de Naice Zulo. Nkuma Beia, além de emprestar a sua voz num dos versos, também contribuiu muito no trabalho de bastidores. Há quem diga que até financeiramente, embora o próprio não tenha confirmado nem negado tal informação. Na curta entrevista que se segue Nkuma dá a sua opinião e lança algumas luzes sobre os beefs que existem dentro do movimento Hip-Hop actualemente.

 

Como Nkuma Beia encara o Beef dentro do rap Game?

Os beefs são estratégia de marketing, é assumir uma posição de alavancagem. Hoje falar mal de A, B e C é para alavancar a carreira, acho que não existe um problema real. Acho que o movimento tinha mais a ganhar com a união porque se reparares tudo isso resulta de ciúmes, inveja e coisa do género.

Isso não parece contraditório uma vez que, segundo chegou ao nosso conhecimento, o grande patrocinador da última mixtape de Naice Zulo foi Nkuma Beia, e essa obra é maioritariamente beef a outros artistas?

O Naice tem essa natureza, mas se tu ouvires bem a mixtape ela está subdividida em três partes. Há uma parte em nós dissemos: Naice isto é tu a fazer a música como sempre fizeste. E há outra parte em que a mixtape era nossa. Daquilo que ele quis fazer apresentou as músicas dele depois disso nós inserimos aquelas músicas que têm mais conteúdo. Se nós entregássemos toda mixtape ao Naice ele iria beefar a mixtape toda. Nós tivemos que lhe direccionar porque se tu deixas o Naice sozinho em estúdio tudo que ele vai cantar é beef. Nós dissemos-lhe para fazer seis músicas do jeito dele e o resto nós assumimos.

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Quando fala em nós te referes a quem exactamente?

Eu, a Zone Musik, o Kenny Bass e toda gente que deu in put. Nós vínhamos com os temas e as ideias para a mixtape ter aquela consistência.

Mas o Nkuma Beia se mudou para a Zone Musik?

Não, continuo Army Music, mas sou muito amigo do Naice, do Raiva e de muitos artistas do movimento. Então a gente contribui sempre para que as coisas aconteçam e sejam melhores.

Nkruma sempre foi uma figura unificadora, sempre esteve perto de muitos outros artistas inclusive rappers em beef. Como tem sido conciliar tudo isso?

Acho que isso tem a ver com o teu caracter enquanto pessoa. Eu gosto de ter amigos e estar com os meus amigos. Nós levamos aquilo que nós fizemos fora para a música. Se um amigo está a fazer um álbum não custa nada contribuir, seja de que forma for.

E em termo de beef…

Eu relativamente a beef… não é que não seja apologista, mas eu acho que não funciona ter beefs dessa forma como se tem agora porque eu acho que a música ganha mais com a partilha de experiências do que com desfasamento porque há muitas coisas que tu podes oferecer. Há muita coisa que a Força Suprema pode oferecer, a muita coisa que a Army tem para ensinar porque cada um tem a sua experiência e os beefs criam essa separação, essa desunião e o movimento não cresce. O que não cresce morre e é o que de certa fora está a acontecer.

Pode argumentar mais essa falta de crescimento?

Hoje tem duas fases no rap. Tem a primeira fase que essa com Kalibrados, Army etc e depois tem a outra fase que é a nova escola. No movimento deles, existe a tendência para o beef porque é uma coisa que eles estão a herdar, mas é mais unificado. Antigamente só tinha um único grupo que tinha cinco, seis pessoas. Hoje tu olha para a TRX e outros tem 11, 12 e é um grupo de amigos, então esse factor união é contributivo. É como se fosse uma pizza com vários sabores e cada um tem alguma coisa para oferecer e eles sabem que os amigos deles tem algo para oferecer e é isso que faz os álbuns deles especiais. Tu ouves as músicas tem sonoridades diferentes.

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